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Entre pausas e palavras.


Parei por algum tempo meu exercício de escrita. As palavras ficaram em suspenso, num silêncio que precisa existir dentro de mim. Não tive vontade de escrever.

Sentei no curso de meditação Vipassana em Janeiro, estive no Nepal e na Índia mais uma vez, e no Peru, e foi realmente desafiador (não só na escrita), pouco registrei através das palavras, mas senti falta dessa liberdade de expressão que o exercício criativo de soltar as palavras traz, um transbordamento que sai livre para escoar em forma de texto, de poesia, aquilo que sobra quando não tenho mais que conter.

A escolha de voltar a escrever vem também acompanhada da vontade de tirar alunos, leitores, amigos, das telas das redes sociais, daquele vício de rolar a tela para cima, sem tempo para ler mais do que a primeira linha do que eu escrevo. Cérebros preguiçosos e desatentos que refletem um

estado coletivo: ansiedade e depressão.

Da minha parte, tenho usado os stories e minha página para uma comunicação superficial: ali não exerço o desafio de escolher as palavras, deixo que uma imagem fale por mim, e eu mesma não falo. Nas fotos postadas, em que escrevo as legendas, me utilizo de citações dos livros que tenho lido, e pronto. Está tudo atualizado, não me coloco, não me exponho, não falo.

Tendemos a passar os nossos dias no piloto automático, perdidos nos pensamentos, sentimentos (ou feeds). Nossos cérebros e corpos são programados para formar hábitos, assim não precisam gastar uma preciosa energia para aprender uma nova atividade.

É por isso que estou aqui, retomando minha escrita, e te convido a sair do seu hábito de passear por páginas de redes sociais e chegar a esse espaço mais íntimo, reconhecendo exatamente onde a sua mente está.

 

 
 
 

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